‘Diplomacia’ do Rugby League: 100 bolas enviadas para o Brasil

‘Diplomacia’ do Rugby League: 100 bolas enviadas para o Brasil

Cem novas bolas da Rugby League estão a caminho do Brasil para ajudar na preparação do país para uma aparição de estreia na Copa do Mundo do Rugby League de 2021.

A primeira compra do lote de bolas com o logotipo oficial da Brasil Rugby League foi possibilitada pela migrante Marina Abreu Silva, cuja empresa Tagarela Intercãmbios opera em Sydney, Austrália, desde 2014.

Defensora apaixonada da igualdade de gênero e das mulheres nos esportes de contato, Abreu Silva tem sido uma defensora fundamental da rápida ascensão do Brasil à disputa da Copa do Mundo, no que é essencialmente um novo passatempo para a nação.

Como o primeiro time latino-americano de qualquer tipo a se qualificar para uma Copa do Mundo do Rugby League, o Brasil terá muitos obstáculos a serem superados – um dos principais é a escassez de bolas de Rugby League.

“Na Austrália você pode encontrar uma bola de rugby league em um posto de gasolina ou loja de conveniência, mas no Brasil é muito raro encontrar uma bola oval”, disse Abreu Silva.

“Às vezes você nem encontra um em uma loja especializada em esportes. E se houver uma em estoque, é provável que seja uma bola de futebol americano ou uma bola de rugby Union, que tem dimensões diferentes.

“As bolas que vamos mandar para as atletas femininas no Brasil vão ser Steedens, a marca que é utilizada a nível da National Rugby League (NRL) pelos profissionais.

“Se o Brasil quer competir com os melhores, temos que nos preparar como os melhores.”

Como a empresa de Abreu Silva, Tagarela, é especializada em questões de migração e educação, ela tem plena consciência de como esportes podem ser importantes para o desenvolvimento de um sentimento de pertença e identidade própria.

Além de dar aos atletas do Brasil a chance de competir em um palco mundial, a participação na rugby league pode ajudar a nação emergente a estreitar laços com os redutos do esporte no Pacífico e na Europa.

“Outro dia assisti a um documentário que falava sobre a ‘diplomacia do basquete ’entre os EUA e a Coreia do Norte, e antes disso havia ‘diplomacia do pingue-pongue ’com as nações asiáticas”, disse Abreu Silva.

“Talvez estejamos à beira da ‘diplomacia da Rugby League ’, criando maiores laços culturais e de entendimento entre a América Latina, Austrália e o Pacífico.

“O número de latino-americanos na Austrália, especialmente de brasileiros, cresceu continuamente nas últimas duas décadas e Rugby League pode se tornar uma adição importante aos interesses que compartilhamos.

“Já amamos a praia, churrascos, viagens e natureza, então é outro ponto comum importante.

“Causas sociais e multiculturalismo são dois tópicos que me preocupam muito.”

Além de fundar a Tagarela, Abreu Silva é fundadora da Fruits From Brazil, uma organização sem fins lucrativos que defende as causas LGBTQI +.

O Brasil é o lar de mais de 20 milhões de pessoas que se identificam como LGBTQI + e teve mais de 50 transgêneros concorrendo a cargos políticos em 2018.